Tem índia no samba.
O carnaval, famoso por sua diversidade, leva para os salões, blocos e avenida a representação da nossa diversidade, seja de gênero, raça ou religião. Nos grandes desfiles, o público costuma ver enredos e fantasias que representam esta imensa diversidade continental, uma característica da construção da identidade cultural do país.
BANDA
A Banda dos Amigos, tradicional bloco da Barra da Tijuca, elegeu como Rainha da agremiação, uma índia de verdade: Lívia Freira, uma bela representante dos povos originários.
Mas, Lívia não se destacou apenas por ser descendentes dos povos Tupinambás: além da descendência indígena, ela é a primeira rainha do carnaval com formação em engenharia civil.

O BRASIL EM PESSOA
Durante a tradicional feijoada pré-carnavalesca da Banda dos Amigos, realizada na Nuth, Lívia fez história:
“Carrego em mim o DNA da verdadeira miscigenação brasileira. Minha avó, descendente direta dos índios Tupinambás, me ensinou sobre a nossa conexão com a terra. Meu pai, mineiro e negro, trouxe a garra e a resistência do povo africano. Minha mãe, paraibana de pele clara, acrescentou a alegria e a força nordestina. Sou o Brasil em pessoa”, revelou a mais brasileira de todas as rainhas.

DESFILE
A Banda dos Amigos desfila pela orla da Barra da Tijuca no domingo, 16. A concentração começa às 13 horas no Posto 5 e o desfile termina às 18 horas na Praça do Ó. No percurso e na chegada, várias atrações estão previstas para animar o folião, como Renato da Rocinha, Samba da Quinzena, Adilson da Vila, Cori Duarte, Mathieu, o francês do samba e a velha guarda musical de Vila Isabel.
PRÊMIO JOVEM ENGENHEIRA 2024
Em sua trajetória profissional, Lívia Freire, a rainha que pratica Yoga, como forma de manter uma conexão ancestral; dança contemporânea e natação oceânica, trabalha em projetos de habitação sustentável, faz mentoria para mulheres na engenharia e palestra internacionais sobre construção verde, além de ter recebido, em 2024, o Prêmio Jovem Engenheira.

ANCESTRALIDADE
A coroação de Lívia Freire representa um marco que une tradição e modernidade, ancestralidade e tecnologia, em uma celebração única da diversidade brasileira. Sua presença na avenida promete revolucionar não apenas o carnaval, mas inspirar uma nova geração de mulheres a ocupar espaços de poder sem perder suas raízes.
“Lidero uma equipe de 50 homens em obras de grande porte. Implementei um programa de diversidade que já formou 15 mulheres em construção civil. Usamos tecnologia indígena em projetos sustentáveis e, no dia a dia, não abre mão de cosméticos orgânicos certificados”, orgulha-se a bela rainha, que encontrou em sua própria história o maior trunfo para conquistar a avenida.
Salve ela!