Fábio Py, professor de Sociologia da Religião, na Universidade Cândido Mendes, publicou artigo na revista “Religions” sobre crítica ao capitalismo da Diocese de Nova Iguaçu no semanário litúrgico ‘A Folha’ (1972–1981), da Mitra Diocesana de Nova Iguaçu.

Foto/Arquivo.
DIREITOS HUMANOS
O legado de fé deixado por Dom Adriano Hipólito, terceiro bispo da Diocese de Nova Iguaçu (1966-1995) e responsável por reportagens no “A Folha”, ainda ecoa por meio de estudos na área de pós-graduação da Universidade Candido Mendes e da UFRRJ, que se uniram com coragem e compromisso para narrar um dos período mais críticos de nossa sociedade: a ditadura militar.
Os professores universitários escreveram artigo que esclarece a luta por direitos humanos, à época, destacando e reafirmando o papel fundamental de uma igreja e de seu líder religioso na luta contra as incontáveis desigualdades sociais

DESIGUALDADE E DITADURA
A revista “Religions” construiu uma “contramemória” que, fundamentada no discurso do “Cristianismo Libertador” (Michael Löwy), criticou o capitalismo e as estruturas sociais da época.
A pesquisa demonstra como a diocese se engajou politicamente a partir de sua prática pastoral de base, para enfrentar a desigualdade e a ditadura, além de defender a dignidade humana.
O artigo foi realizado pelo professor Fábio Py Murta de Almeida, por seu orientando Pedro Henrique Reis (mestrando) e pelo professor doutor Clínio Amaral (professor da UFRRJ).

MOVIMENTOS SOCIAIS
O professor Fabio Py desenvolve pesquisas sobre sociologia da religião, histórias das religiões, história digital, autoritarismo, religião-política, fascismos, movimentos sociais, ruralidades e cidades.
Ele é autor do livro “Pandemia Cristofascista”, e foi colunista do Caros Amigos, Carta Capital e Mídia Ninja.

Foto/Arquivo.
DOM ADRIANO HIPÓLITO
Dom Adriano Hipólito foi o terceiro bispo da Diocese de Nova Iguaçu, nomeado em 1966, alguns anos após a criação da diocese, em Junho de 1960.
O bispo foi pastor, profeta e defensor dos direitos humanos, e atuou firmemente ao lado das populações mais pobres da Baixada Fluminense, contra exclusão social e contra a repressão política durante a ditadura militar. Em 22 de setembro de 1976, Dom Adriano foi sequestrado, espancado, torturado e abandonado nu em uma estrada.
Sua morte, em 10 de Agosto de 1996, se tornou símbolo da perseguição à Igreja comprometida com os pobres. E verdade, naqueles tempos, era matéria inflamável.
Dom Adriano permanece atual porque o país ainda testa seus próprios limites entre autoritarismo e democracia.

Foto/Arquivo.
A FOLHA
No jornal ‘A Folha’ (1972–1981), da cidade de Nova Iguaçu, a página parecia pequena demais para o que Dom Adriano carregava em suas reportagens.
Ainda assim, cabia ali uma Igreja inteira: ferida, inquieta, humana. Dom Adriano escrevia pelos que não tinham voz, e talvez por isso sua voz tenha incomodado tanto. Denunciava perseguições, chamava o medo pelo nome, lembrava que cristãos também sangram quando o Estado erra o alvo.

Foto/Crédito: Thiago Loureiro
NOVA IGUAÇU
O primeiro bispo da Diocese de Nova Iguaçu, criada em 23 de Junho de 1960, foi Dom Walmor Battú Wichrowski, que foi sucedido pelo bispo Dom Honorato Piazzera, SCJ (1961-1966).
Dom Adriano Mandarino Hypolito, OFM (1966-1995), foi o terceiro bispo de Nova Iguaçu, figura marcante na história da Diocese, e defensor dos direitos humanos.

PROFESSOR FABIO PY
Fábio Py Murta de Almeida (pós-doutor em Políticas Sociais) é professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do IUPERJ/Universidade Candido Mendes. Pesquisador, o professor faz parte do Conselho Editorial da Revista Brasileira de História das Religiões.

Leia a matéria da Revista Religions, na íntegra: https://www.mdpi.com/2077-1444/16/12/1505 (em inglês)
https://www.mdpi.com/2077-1444/16/12/1505 (original em português)





















