Com curadoria do jornalista Marcelo Fraga, a Superintendência do IPHAN no Rio de Janeiro inaugura hoje, na Esquina do Patrimônio, a exposição “O Joazeiro do Padre Cícero, um fio para o infinito”.
A mostra celebra o centenário da histórica turnê de “O Joazeiro do Padre Cícero” (1925–1926), o primeiro filme nordestino exibido no Rio de Janeiro.

DOCUMENTÁRIO
Com apoio e autorização dada pelo próprio Padre Cícero ao jornalista Lauro Reis Vidal, o documentário em 35 mm, começou a ser rodado na década de 1920, registrando momentos antológicos como a inauguração de uma estátua de bronze do sacerdote em Juazeiro do Norte, em 1925.
A fita estabeleceu uma rota histórica sem precedentes, cruzando o país por via férrea e navios a vapor, passando por Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Manaus.
Como símbolo dessa conexão, a estátua, que teve sua inauguração filmada há 100 anos, viajou de Juazeiro do Norte para ser exibida no Rio de Janeiro durante a mostra. Em paralelo a exposição, o público poderá conferir no Cine-Palco, uma pequena sala de 30 cadeiras, o que restou da película original, além de suas duas versões posteriores e o processo de colorização digital.

ESTRANHAMENTO
Essa saga pioneira abriu caminhos para uma transformação profunda na identidade nacional.
Há um século, o filme e a rica exposição montada em seu entorno traziam imagens e elementos de um Nordeste que
causavam espanto e estranhamento ao público do sul do país, muito por conta da total falta de conhecimento regional, mas também pela distância da Capital Federal (então o Rio de Janeiro) em relação à realidade do sertão.

EXCELÊNCIA
Hoje, o cenário mudou: o sertão avançou e a cultura nordestina está plenamente organizada, protegida e valorizada no topo do patrimônio nacional.
O que no passado causava surpresa por falta de informação, hoje é reconhecido como direito, salvaguarda e orgulho.
O Cordel e o Forró são oficialmente registrados como Patrimônio Imaterial, e o artesanato tradicional alcançou grau máximo de excelência.

O “JOAZEIRO” DO PADRE CÍCERO
A exposição “O Joazeiro do Padre Cícero” demonstra o importante trabalho da Secretaria de Estado de Cultura, do IPHAN e do Governo Federal na política de fomento e proteção aos Mestres da Cultura, figuras primordiais que salvaguardam saberes tradicionais, que são a grande riqueza que existe na bela região do Cariri.
O projeto detalha a chegada do Padre de Juazeiro ao Rio de Janeiro em 1897 e sua posterior partida para o Vaticano.

RARIDADES
O público terá acesso inédito a documentos originais de valor inestimável passados por um minucioso processo de restauro
nos laboratórios especializados da Fundação Casa de Rui Barbosa, que incluem o título de eleitor de Padre Cícero, bilhetes de próprio punho, além de fotografias históricas tiradas e assinadas pelo próprio sacerdote.
Por parte de mãe, o Padre Cícero era membro da influente família Bezerra de Menezes, proprietária de imensas extensões de terra no sul do Ceará.
A mostra destaca ainda as raras cartas originais que ele escreveu de próprio punho de Roma, enviadas para Secundo, o conhecido farmacêutico de Juazeiro, contendo orientações e relatos de sua estada na Europa.

O ACERVO DE DONA GENEROSA ALENCAR
Em uma seção documental, a exposição revela a intimidade e a produção literária guardadas no valioso acervo pessoal de Dona Generosa Alencar, historicamente reconhecida como a última beata do Padre Cícero.
Estarão expostos os livros que ela publicou em parceria com a professora Maria de Fátima Menezes Barbosa.
Este acervo monumental possui material inédito de direitos adquiridos para a publicação de, ao menos, mais dez livros, e encontra-se sob a guarda do IPHAN para consulta e futuras pesquisas editoriais.

DEPOIMENTOS
A exposição traz o artesanato em couro de Mestre Espedito Seleiro e folhetos históricos da gráfica Lira Nordestina.
Durante a exposição, o Cine-Palco exibirá o que restou do documentário mudo de 1925, e receberá apresentações de bandas de forró.
O espaço funciona também como estúdio de gravação para colher depoimentos de intelectuais de todo o país para o documentário dos 100 anos da saga.
O evento é uma parceria entre o IPHAN, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e o Curso de Teologia da PUC-Rio.

Serviço:
Exposição: “O Joazeiro do Padre Cícero, um fio para o infinito”
Curadoria do pesquisador e jornalista Marcelo Fraga
Abertura: 28 de setembro de 2026, às 15h
Visitação: 28 de setembro a 23 de outubro de 2026
Local: Esquina do Patrimônio – Superintendência do IPHAN-RJ
Endereço: Avenida Rio Branco, 46, Centro, Rio de Janeiro – RJ
Entrada: Gratuita





















