Confesso, assim como o arquiteto e urbanista Vicente Loureiro, que promove sessões para os amigos na sala de cinema do prédio em que mora, eu também me considero um cinéfilo.
Gosto imensamente da sétima arte, e, se pudesse, assistiria a filmes todos os dias.
E é exatamente nesta condição que me surpreendi quando me deparei com um convite para três dias de sessões de clássicos do Cine Café Jóia, em Copacabana.

Eu, particularmente, frequentei a charmosa sala de cinema, numa galeria de Copacabana. Neste período conheci diversos cinemas que hoje não existem mais, como o Metro Boavista, o Cine Império, o Pathé, o Mesbla, no centro da cidade; o Metro Copacabana; o Cine Paissandú, no Flamengo; o Cine Pavilhão e o Cine Verde, na Baixada, entre muitos outros que sucumbiram ao crescimento econômico, e ficaram na memória.

Confesso que este resgate do Cine Jóia, me encheu de alegria.
É, pelo que entendi, será uma sessão para amigos e amantes de cinema, organizado pela Juliana Fiaux, que comanda a cafeteria da antiga sala de projeções.
E, a programação não poderia ser mais luxuosa.

Hoje, tem a sessão de “Doutor Jivago”, com Omar Sharif, Julie Christie, Geraldine Chaplin, Rod Steiger e Alec Guiness e direção de David Lean.

Amanhã (24/06), é a vez do clássico “Lá Violetera”, musical espanhol dirigido por Luis Amadori e estrelado por Sarita Montiel e Raf Vallone.

E encerrando a programação de três dias, na quinta-feira (25/06), é a vez do italiano “Os Girassóis da Russia”, dirigido por Vittorio De Sica e estrelado por Sophia Loren e Marcello Mastroianni.
Todas as projeções acontecem em sessão única, as 16 horas, com entrada franca e sujeito a lotação.
Todos, filmes clássicos imperdíveis.

UM LUXO EM COPACABANA
O Cine Joia foi inaugurado em 1969 e funcionou como cinema de rua até 2005, quando fechou devido a condições precárias. Foi reformado e reaberto em 2011 com programação alternativa, priorizando filmes independentes e clássicos, mantendo ingressos acessíveis para democratizar o acesso ao cinema, como noticiou a Veja Rio, na época.
Durante a pandemia de COVID-19, em março de 2020, o cinema fechou novamente, e a falta de repasses da RioFilme tornou insustentável a manutenção do espaço.

Em 2021, o produtor cultural Oscar Zinelli arrendou o local e transformou o Cine Joia em uma espécie de “coworking das artes”, abrindo espaço para teatro, poesia, dança, workshops e outras atividades culturais, mantendo a essência do cinema como ponto de encontro artístico.

A partir de setembro de 2022, o espaço voltou a exibir filmes de forma regular, combinando cinema, teatro e estúdio para gravações, inclusive para produções independentes e programas digitais.

O agora Cine Teatro Joia mantém a tradição de exibir filmes fora do circuito comercial, incluindo produções independentes e clássicos, e continua sendo um espaço de resistência cultural, preservando a memória e a importância do cinema de rua na cidade.
Afinal de contas é um luxo pra qualquer cidade do país ter um cinema de rua ainda em funcionamento.


















