Imagem do trabalhador da cultura que não pára, o ano tem sido de ritmo intenso para o ator e dramaturgo Cesário Candhí: ele está em cartaz com três espetáculos que circulam pelas arenas e palcos do Sesc no Rio de Janeiro.
Como se o desafio de dar vida a múltiplos personagens em um mesmo fim de semana não bastasse, o artista também assina como dramaturgo em duas dessas produções.

O PATINHO FEIO
A maratona teatral do ator impressiona pela pluralidade de gêneros. No espetáculo infantil “O Patinho Feio” – realizado pela Trupe investigativa Arroto Cênico de Nova Iguaçu – além de dividir a autoria da dramaturgia, Candhí se desdobra no palco interpretando seis personagens diferentes para falar sobre aceitação e o respeito às diferenças.

JOTINHA
Em “Jotinha, o menino que brincava com as palavras”, também uma produção da Troupe, ele assume a responsabilidade em dose dupla, como protagonista e dramaturgo.
A obra, baseada na figura do cordelista Seu Jota Rodrigues, provoca uma forte identificação no ator ao retratar o nordestino que deixa sua terra em busca de uma vida melhor, trajetória idêntica à de sua família.

Foto/Crédito: Stephany Lopez
ERA UMA VEZ UM TIRANO
A tríade nos palcos se completa com “Era uma vez um tirano”, peça infanto-juvenil realizada pelo Instituto Cultural Cerne de São João de Meriti, que debate sonho e liberdade, na qual o ator vive o instigante ‘Lambe Botas’, o puxa-saco oficial do tirano, que se humaniza ao longo da trama.

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIAS
Com a agenda de apresentações de circulação garantida em todos os finais de semana até o mês de novembro, Cesário confidencia que o momento atual exige um verdadeiro malabarismo físico e mental.
“É algo inédito para mim e, ao mesmo tempo, desafiador. Mesmo com 40 anos de trajetória dedicada ao teatro, tem finais de semana em que, no sábado, apresento um espetáculo e, no domingo, outro. É cansativo, mas prazeroso, afinal é a concretização do meu sonho, que é trabalhar no que me move: a arte de interpretar e de contar histórias”, celebra o ator.

SÓ SEI QUE É ASSIM
Prestes a completar 60 anos, Candhí brinca com o vigor para enfrentar a maratona: “Sou um jovem de mente, mas o corpo não sabe disso”, diverte-se.
Para conseguir virar chave entre universos tão distintos, Candhí explica que o processo é quase mágico, “parece que meu cérebro tem várias caixinhas onde estão todos os personagens que dormem após cada espetáculo, e que eu sempre vou lá e o acordo para o próximo’. Parece maluquice, mas “não sei, só sei que é assim’”, brinca, numa referência ao personagem do “Auto da Compadecida”.

EMOCIONA E FAZ REFLETIR
E o ano promete ainda grandes novidades: em julho o artista inicia uma temporada no Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), no Centro do Rio, com a montagem de “Era uma vez um tirano”.
Para o artista, o retorno do espetáculo tem um significado político e social profundo: “É sempre importante que coletivos da Baixada ocupem espaços fora da nossa região e mostrem o que andamos produzindo por aqui. “Era uma vez um tirano” é um espetáculo que encanta, emociona e faz refletir”.

DE PEÃO DE OBRA AOS PALCOS
Olhar para a agenda lotada traz para o artista um sentimento de profunda felicidade e a certeza de estar honrando as suas origens. Nascido no interior da Paraíba, ele começou a fazer teatro na infância sem nem saber, exatamente, o que era a arte. Já no Rio de Janeiro, o futuro artista trabalhou por dez anos como peão de obra, utilizando o salário da construção civil para pagar seus estudos e se formar como ator, sem nunca abandonar o sonho.

SUCESSOS NO AUDIOVISUAL
Essa dedicação tem rendido frutos também no audiovisual, terreno onde a carreira de Cesário tem sido bastante concorrida nos últimos três anos. Recentemente, ele finalizou as gravações de “Sentar à Mesa”, seu sexto curta-metragem desde o ano passado.
Em julho, ele fará uma participação no terceiro episódio “Sala Comercial” da série “Pablo e Luisão”, criada por Paulo Vieira para o Globoplay, contracenando com a atriz Dira Paes.
Recentemente Candhí participou da novela “Vale Tudo”, da Tv Globo, e aguarda a estreia da quinta temporada da série “Arcanjo Renegado”, no Globoplay.

“Os últimos anos têm sido muito intensos, parece até que foi uma preparação. Mas foi exatamente isso o que eu pedi ao universo”…
O que, certamente, com muito trabalho, talento e dedicação, ele entrega de volta.

Fotos/Crédito: Ana Paula Rolon
Texto: Julia Diniz. DD assessoria
















