Entre mesas de conversa e bate-papo literários, com nomes importantíssimos da literatura mundial, a Flip – Feira Literária de Paraty 2026, discutiu os rumos da literatura no mundo, e a constatação de que uma boa parte dos autores internacionais convidados, assim como boa parte do planeta, não vivem mais nos seus países de origem.
Em nota dirigida e imprensa, dias antes do evento, a organização da Feira informou que “a programação convida seus leitores a pensar na casa como território instável”.
A“casa” em questão pode ser entendida como uma metáfora de mundo, de reconstrução, de famílias que vivem em constante tensão com os conflitos em seus territórios.

Nesses cinco dias, que terminou ontem em grande estilo, foram realizadas 21 mesas literárias. E, não é exagero afirmar que o mundo desfilou na Flip, nas ruas históricas de Paraty. Um evento sempre inesquecível. A programação paralela da Flip contou com 44 casas parceiras.

Na Casa Patrimônio, espaço instalado na sede do Instituto Histórico e Artístico de Paraty (IHAP), um dos points da Feira, a mesa “Arte como Resposta: O Patrimônio Artístico e Integrado como Expressão Identitária ao longo dos Séculos”, teve como tema central o estudo da arte sacra no Brasil, trazendo reflexões sobre o papel das intervenções de restauro em bens móveis e de que maneira esses bens contribuem para o estudo dos contextos histórico-culturais da época em que foram produzidos.

A mesa, mediada pela arquiteta Juliana Parreiras, teve como convidados o escritor, jornalista e atual prefeito de Ouro Preto, Angelo Oswaldo; o historiador Julio Bandeira; e o historiador e Secretário de Cultura de Nova Iguaçu, Marcus Monteiro.

Em sua palestra Marcus Monteiro discorreu sobre o resgate, a valorização e a evolução do patrimônio histórico na Baixada Fluminense, especialmente em Nova Iguaçu, a cidade onde ele comanda a cultura, com maestria.

Falou da criação do Parque Histórico e Arqueológico de Iguassú Velha e das obras de restauração do antigo conjunto urbano, das pesquisas arqueológicas em andamento e da criação do Museu de Arqueologia e Etnologia de Nova Iguaçu, um espaço que tirou do papel uma parte importante da história da região.

E foi ainda bastante aplaudido quando falou da exposição “Arte & Devoção – A escultura religiosa no Brasil colonial”, no Complexo Cultural Mário Marques, a Casa de Cultura de Nova Iguaçu.

Com um acervo luxuoso, poucas vezes vistas no país fora dos grandes museus, “Arte & Devoção” tem obras originais de grandes mestres brasileiros como Aleijadinho e Mestre Valentim, “artistas negros que transformaram o barroco brasileiro em expressões de fé, resistência e genialidade”.

A exposição, que de tão magnífica ganhou destaque em grandes veículos da imprensa como página inteira no jornal O Estado de Minas e matéria no Jornal Nacional, da Tv Globo, tem curadoria do restaurador de bens culturais Erick Marques Ferreira, do museólogo Rafael Azevedo e de Marcus Monteiro,
historiador, pesquisador e membro titular do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB).

Na época da estreia, que levou quase um mês para ser montada, Marcus declarou “É uma ousadia enorme fazer esta exposição que devido a sua importância e grandiosidade poderia estar em cartaz em grandes museus do mundo”, relata.
Na estreia, depois de passar quase um mês na montagem e outros tantos dias para confeccionar o catálogo da exposição, Marcus declarou
“É uma ousadia enorme fazer esta exposição que devido a sua importância e grandiosidade poderia estar em cartaz em grandes museus do mundo”

FORTALECIMENTO E RELEVÂNCIA
Prestigiando o evento, Augusto Vargas, Subsecretario de Integração Cultural da Baixada, participou do encontro sobre patrimônio, arte, fé, literatura e identidade, reafirmando a cultura como uma forma essencial de compreender os territórios, as pessoas e as histórias construídas ao longo do tempo.
Augusto visitou o espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, na Casa da Leitura e do Conhecimento, que recebeu rodas de conversa, contações de histórias, encontros literários e lançamentos de livros.
“A presença da Baixada nesses espaços fortalece sua voz, valoriza seus agentes culturais e evidencia a relevância do trabalho realizado pela Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu e pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa na integração e democratização da cultura em todo o estado”, declarou.




















